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CAIA NA REDE SEM AFUNDAR !

     A Internet é, hoje, um veículo completamente indispensável, quando se fala em obter sucesso nos negócios. As vendas do comércio eletrônico, somadas às vendas no comércio tradicional, também diretamente influenciadas pela Web, atingem um percentual de quase 25% de todo o mercado. E ninguém pode se dar ao luxo de ignorar 1/4 do comércio!

     A maior parte da movimentação ainda está com as grandes empresas, embora as pequenas tenham um papel relevante no e-commerce. De acordo com André Valle - coordenador acadêmico dos cursos MBA em E-business, MBA em Gerência de Telecomunicações e MBA em Gerência de Projetos da Fundação Getulio Vargas - a medida em que se populariza o uso das ferramentas eletrônicas para negócios, aos poucos, o cenário vai se modificado.

     " Hoje, até mesmo microempresas têm utilizado ferramentas eletrônicas básicas - por exemplo, os sites de leilões -, para se estabelecer virtualmente. E a tendência é, que pelo menos com algum tipo de presença institucional, nenhum negócio estabelecido estará fora do mundo do e-business. Quando isso acontecer, o "e-business" se tornará o próprio "business", explica André.

     Para entrar com o pé-direito no comércio virtual, o primeiro passo é construir um site eficiente e, principalmente, seguro. No entanto, com o aumento da procura pelo desenvolvimento de ferramentas e-commerce, houve também o crescimento demasiado da oferta de trabalho, que nem sempre se reflete em qualidade para o serviço contratado.

     "A área de Internet, como qualquer outra relacionada à tecnologia da informação, tem um grave problema estrutural, que é a baixa barreira de entrada. Ou seja, para ingressar neste mercado, basta um pequeno curso e ir à luta. Isso gera baixa qualidade em projetos, atrasos, informalidade, entre outros empecilhos", alerta.

     Na opinião do professor, para evitar problemas com a mão-de-obra contratada e garantir qualidade ao site, nada substitui a educação formal.

     "É preciso analisar o currículo dos sócios da empresa, que universidades cursaram, que cursos de pós-graduação e certificações fizeram, e ficar muito atento à lista de clientes. Uma visita às instalações da empresa também é uma boa estratégia", ensina.

     Além da segurança, um site de comércio eletrônico tem que ser muito funcional. Afinal, a Internet deve ser uma "facilitadora de compras" para os clientes.

     "Uma vez, fiz junto com os meus alunos um benchmark com vários sites de comércio eletrônico. Encontramos casos onde o consumidor tinha que dar até 19 cliques para finalizar uma compra. Se um aluno de MBA tem dificuldade de ir até o final em um caso desses, imagine o usuário médio. O resultado é trágico!".

     André Valle também salienta a importância da velocidade de acesso - ninguém suporta acessar um site lento- e a disponibilidade. Um site tem que estar aberto 100% do tempo, para que o cliente possa fazer a sua compra a qualquer hora, em qualquer lugar. Isso evita que o internauta desista da compra e parta para o concorrente, que pode ser o shopping mais perto de casa.

     "Uma questão muito importante, mas que tem pouca atenção dos pesquisadores, é que o seu maior concorrente provavelmente não é outro site, mas sim, o comércio normal (lojas, shoppings, etc). Se o usuário desiste de uma compra, isso pode causar uma frustração de tamanha forma, que ele sai de casa e compra na loja mais próxima", revela.

     Segundo o professor, isso acontece porque comprar é um ato social. As pessoas gostam de sair, ver as vitrines e se relacionar socialmente.

     "Costumo brincar com meus alunos que tem gente que faz até "terapia compracional". Ou seja, esses fatos fazem com que os aproximados 3% atuais de vendas totais via Internet (do total de tudo que é vendido no varejo) crescerão até um teto imaginário de aproximadamente 10%, mas não devem passar daí. Muito diferente do comércio eletrônico interempresarial (B2B), cujo limite tenderá a ser próximo dos 100%".

     No entanto, exceções acontecerão em muitas áreas, como no setor de viagens e turismo, onde ele teme pela sobrevivência das agências convencionais.

     "Por melhor atendimento que elas possam prestar, dificilmente conseguirão concorrer com quem tem preços até 30% menores", opina.

PROPAGANDAS NA INTERNET

     Para obter maior volume de vendas pela Web, algumas empresas usam mala-direta, banner e anúncio em sites de busca. De acordo com André Valle, uma campanha on-line bem planejada pode realmente alcançar excelentes resultados.

     "No passado, investir em propaganda on-line era quase como jogar dinheiro ao vento. Hoje, com o desenvolvimento de ferramentas eletrônicas relacionadas à propaganda on-line, pode-se ter uma propaganda, focada e customizada, como nenhuma outra mídia permite. Por exemplo, um hotel em Niterói pode inserir um anúncio em uma ferramenta de busca, especificando que a sua inserção somente apareça para usuários que busquem pelas palavras-chave "hotel" e "Niterói", que somente sejam contemplados internautas de São Paulo e que façam a sua busca entre 10h e 18h, e que o custo da campanha não ultrapasse um gasto médio de R$ 30,00 por dia. No final de 30 dias, ele poderá controlar quantos usuários potencialmente viram o seu anúncio, quantos clicaram no seu banner e quantos fecharam negócio".

     No entanto, o professor é categórico ao afirmar que o empresário deve resistir à tentação do spam, que é a mala direta eletrônica não solicitada. Uma das conseqüências negativas para quem o utiliza é a inserção em "black lists", o que impede a comunicação com outras empresas.

     Portanto, para entrar no comércio sem fronteiras da Internet, sem afundar na rede, André Valle dá o seguinte conselho:

     "É preciso ter muito cuidado com as questões de pagamento, já que a fraude on-line também tem números crescentes. Outro fator importante nos dias de hoje diz respeito à personificação fraudulenta. Todos os dias, recebo e-mails de diversos bancos, me informando que estão disponibilizando novas ferramentas de segurança e, para instalá-las, basta clicar no link. Tudo falso.... E isso pode ser feito analogamente com a sua empresa. Nada impede que um concorrente seu, utilizando má fé, envie uma mensagem para 50 milhões de e-mails (dentre os quais poderiam estar 50 clientes seus) comunicando a paralisação dos seus negócios. Até a notícia ser desmentida, imagine o prejuízo que isso pode causar", finaliza.

     *ANDRÉ VALLE é coordenador acadêmico dos cursos MBA em E-Business, MBA em Gerência de Telecomunicações e MBA em Gerência de Projetos da Fundação Getulio Vargas. É autor dos livros "MP3 - A revolução do som via Internet", "Guia de EDI e Comércio Eletrônico", "Manual Anti-hacker", "Netscape Navigator para Principiantes", "Java - Manual de Introdução", "Internet Explorer para Principiantes" e "Internet Quickref".

Publicado em: Sexta-Feira, 04 de Março de 2005
Fonte: Site PEGN

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